Pequena grande diferença

Estamos em Bogotá, Colômbia, para conhecer um pouco do que Deus está fazendo nessa grande e bonita capital. O pastor Libni e sua esposa Natalia nos contam sobre um dos ministérios da Igreja Metodista Livre, chamado no dia a dia da Igreja de Lar das Meninas. Ele é o local de acolhimento de doze crianças que passaram por situações sociais e familiares limítrofes.

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O Lar é fruto de um período de evangelização em um dos bairros mais carentes da cidade. No contato com a realidade crua por que passam algumas famílias, nasceu o sentimento de que algo deveria ser feito.

Naquela época, Jacob Grady, um jovem recém formado de 24 anos, estava oferecendo a Deus dois anos de sua vida em trabalho missionário na Colômbia. Sabendo da visão e da necessidade de fazer algo por aquelas meninas, dispôs-se a levantar fundos para o aluguel de um local e para parte das despesas mensais.

Os outros gastos foram assumidos pela igreja. Todo o trabalho de cuidado das crianças é feito de maneira voluntária. Entre cozinheiras, cuidadoras, recreacionistas, assistentes pedagógicos, médicos, psicólogos, cinqüenta pessoas da Igreja dão o que têm de seu tempo disponível para as crianças. Alguns disponibilizam um dia por quinzena, outros dão mais tempo. Dona Ruth Ramirez fica o dia inteiro no lar.

Uma grande porta de ferro separa o barulho da avenida da construção acolhedora. Entro com meu coração vigilante para que tenha uma atitude de profundo respeito e consideração por quem já teve feridas profundas e necessidades básicas negadas o suficiente em sua breve e por demais demorada história.

Como que descendo de árvores surgindo do nada, uma, e outra, e outra menina se aproximam curiosas. “Você nasceu onde? Qual é seu nome? Quantos anos tem?” Duas mãozinhas me puxam insistentes para que eu vá “arriba”. Querem mostrar seus quartos, limpos e arrumados, com seus nomes em suas camas. Abraços e beijos são a comunicação preferida para expressar o que talvez não tenham recebido num período crucial de suas vidas.

As marcas de um passado doloroso não se apagam de maneira fácil. Sua pele e cabelos me parecem sinalizar que a recuperação física ainda está em andamento. Seus olhos e tons de voz fazem uma combinação inusitada de vivacidade típica da idade com uma certa opacidade no olhar. A tristeza escondida da voz me fazem temer que ainda existe um longo processo de cura interior.
Mas também percebo confiança nas pessoas que as visitam e obediência tranquila aos que têm responsabilidade sobre elas. Elas vivem e respiram amor nesta sua nova casa.

Saio da casa querendo não sair. Não porque tenho uma crise passageira de pena filantrópica, mas porque sinto que dentro daquela casa existe algo importante sendo realizado e onde a presença e atuação de Deus se fazem sentir.

De volta ao contato com o barulho mecânico da cidade grande, lembro de um vídeo que assisti há algum tempo. O rapaz está na orla de uma praia cheia de conchas, trazidas pela maré alta. Ele as joga, uma a uma, de volta ao mar e à vida. Um homem o observa e comenta, prático:
“Veja a areia da praia. Ela continua repleta de conchas. Não vê que seu esforço não mudou muita coisa?”
O rapaz ouve de maneira atenta, e depois de um segundo de reflexão, pega outra concha da praia e a lança ao mar. E diz:
“Para esta, muita coisa mudou”. E continua a lançar, uma a uma, as conchas de volta ao mar.

As necessidades sociais da cidade de Bogotá continuam imensas. Crianças assistem ao assassinato de seus pais, sofrem abuso sexual daqueles que deveriam ser seus guardiões protetores, passam fome e frio, não têm em suas casas um ambiente que se pode chamar de lar.
E não é por causa da existência deste pequeno trabalho da Igreja Metodista Livre que os dados estatísticos de violência ao menor em Bogotá serão alterados de maneira substancial.

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Mas para estas doze crianças que conheci, porque uma igreja olhou para elas, a vida foi transformada de maneira radical, fazendo uma enorme e definitiva diferença.

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Sonhos bogotanos

O louvor corre solto ao ritmo característico da cumbia. Duas meninas se postam à frente da congregação, expressando em dança sentimentos de adoração. Uma bandeira de Israel é agitada por uma senhora no meio do povo. Alguns fecham os olhos, reverentes, outros levantam as mãos, como se procurassem alcançar o teto alto da Igreja. O pastor Libni, sempre comedido, se move discreto, sintonizado com o ritmo envolvente. Natalia, sua esposa e também pastora, dirige o louvor com seu jeito expansivo e contagiante. Estamos perto do céu, penso. Ou quem sabe Deus está perto de nós aqui, na Igreja Metodista Livre de Bogotá.

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Nos três dias que ficamos na cidade, entre vistas da cidade de 2640 metros e passeios na parte histórica da cidade, coração administrativo e depositário fiel da cultura e arte do país, o pastor me conta sua história de ministério, que se mescla com a história da Igreja.

Recém chegado do Brasil, onde foi estudar teologia, vê as portas da Igreja que congrega se fechando de maneira inesperada, depois de um início de ministério promissor. Nos meses seguintes, quando considera com Deus o que fazer, recebe um convite para começar um trabalho Metodista Livre. É o sinal que espera para continuar no ministério.

Não há promessa de sustento nem de acompanhamento ministerial. Para se manter, dirige um táxi e faz um trato com Deus: estipula um valor diário que precisa ganhar para se manter, e quando atinge este valor, deixa o táxi e vai pregar o Evangelho.

Somente depois de um ano recebe outra ligação: “E então, está pregando o Evangelho?” “Sim, e há frutos”. Assim começa a Igreja Metodista Livre na Colômbia, denominada “Movimiento de Plenitud Cristiana”.
Doze anos passados de sua fundação oficial, a Igreja de cerca de 300 membros está em fase de maturidade.

Enquanto tomo um chocolate saboroso na sua acolhedora casa, pergunto se existem desafios ministeriais fora da Igreja estabelecida. “São muitos os sonhos”, diz o pastor, e percebo que nessa ênfase existe mais do que metáforas. Estão sustentando um pastor designado no trabalho iniciante de Barrancabermeja, uma cidade em desenvolvimento. O Lar das Meninas, um trabalho de resgate social, caiu no colo da Igreja, que não o recusou. Existe ainda a consolidação do trabalho na Igreja, que está em fase de desenvolvimento próprio. “Mas de todos os desafios, o que te move de maneira mais intensa?” Ele suspira, e confessa: “nossa meta é começar outra Igreja em Bogotá ainda em 2010. É nisso que está meu esforço e paixão”.

Enquanto espero a chamada para o embarque, faço rápido as contas na cabeça. Várias frentes de trabalho, imensos desafios a serem alcançados. No passado, por causa das despesas iniciais de construção, a equipe ministerial ficou durante um tempo sem salário fixo mensal, dependendo somente de ofertas ocasionais. Agora a Igreja está estabelecida, mas eles não param de sonhar. E os recursos que dispõem são gritantemente menores do que os desafios.

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Faço um recall das imagens e sensações da bandeja paisa, prato típico colombiano da região onde nasceu Natalia, que provamos no almoço de domingo. Entre outros ingredientes, sopa, feijão, arroz, ovo, abacate, torresmo, farofa, carne, morcilla, lingüiça, banana, batata e arepa, uma espécie de pão à base de milho, tudo servido em um grande prato, chamado propriamente de “bandeja”. A refeição naquele dia aconteceu tarde, depois do culto, e por isso, estava disposto a encarar uma comida consistente. Mas mesmo com muita fome não consegui terminar o prato que me ofereceram: era abundância demais.

Nesta lembrança ganho encorajamento. A necessidade é imensa, mas Deus é especialista em suprir cada uma de nossas necessidades. O Deus da bandeja paisa!

Para conferir mais fotos e vídeos sobre a Igreja e a cidade, acesse:

http://picasaweb.google.com/marcelo.imel/Colombia?authkey=Gv1sRgCJXL9OSv7M27DQ#

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Encantos do Peru

As paredes em variados tons de marrom do aeroporto me dão uma sensação confortante neste país que visito pela primeira vez. Os painéis de propaganda mostram lugares peculiares, exuberantes à vista, que instigam a curiosidade para um mundo antigo e misterioso. Existe muita história neste espaço de terra que foi, antes e durante a ocupação espanhola, um dos centros regionais do continente.

Nas tramas dos tecidos artesanais encontrados nas lojas típicas, uma explosão harmoniosa de cores da tradição indígena. Os incas, me dizem, tinham o arco-íris como referencial de suas pinturas. “Quem sabe?”, filosofo enquanto trafego entre as mercadorias artesanais de suspeito padrão uniforme em cores e qualidade. Uma consultoria mercadológica bem feita pode ajudar a polir e, se necessário, atualizar um tesouro arqueológico.

O país é a reunião de pequenos mundos distintos. A começar pela geografia: em curta extensão, íngremes contrastes entre a costa, as montanhas e a selva. Lima, nosso destino único nesta viagem de três dias, situa-se à beira mar, bordeada a poucos minutos de avião pelos Andes, que se precipitam para dar lugar para as terras baixas da bacia do Amazonas.

Em cada limite geográfico, grupos de gente das mais diversas, com costumes e culturas distintas. É o que me explica Maria, a esposa do pastor Miguel, enquanto contemplamos na loja o painel de pequenos quadros pintados à mão. São rostos de meninas, cada um com seu traje e traços peculiares, formando um mosaico colorido de um povo todo chamado peruano.

No passeio rápido pela culinária local, o lomo saltado, uma co-autoria surpreendente entre a cozinha criolla e chinesa, datada do século XIX, resultando no tempo certo de cozimento de ingredientes triviais.

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Especial é o ceviche, peixe branco marinado com lima, um tipo de limão peruano de acento forte. O reconhecimento mundial recente que a cozinha peruana tem tido é meritório. Mesmo uma despretensiosa empanada de carne vendida no balcão do aeroporto pode atestar que o bom gosto e a sensibilidade do tempero não são de alguns poucos gênios da cozinha, mas vêm das bases do povo.

Passando de carro pelo centro velho, indo para uma igreja situada na periferia norte da cidade comprida que se esgueira espremida entre a costa e as montanhas, sob a luz fraca do nunca visto, sou observado com atenção por uma fila de construções seculares, antigos imponentes monumentos do que foi o mais importante dos três centros do império espanhol na América. O tempo, o uso e o vento gravam em seu semblante profundas rugas de experiência. O entulho e o lixo acumulados nas ruas decrépitas formam o entorno de uma pintura antiga, em necessidade urgente de restauração.

Na pequena igreja, escondida entre casas indistintas, os instrumentistas se preparam para o louvor do culto. Um som alto e contemporâneo sai das caixas estridentes e da bateria energizada por jovens cheios de entusiasmo. Depois de séculos de opressão religiosa, o Evangelho se apresenta em roupagens atraentes para a geração do futuro. No culto, a maioria são jovens recém convertidos, dispostos a fazer uma nova história em suas vidas.

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Na conversa com o casal Gary e Patricia Cruce, missionários americanos, ouço uma análise que me serve como insight para me ajudar a compreender os sinais que percebo no país. O Peru quer mudar, e por isso não tem preconceitos ou resistência para quem se dispõe a indicar um caminho, qualquer que seja ele. Este é o tempo do Evangelho no Peru, e essa é a razão de eles estarem no país. Não como alguém que está no palco, mas como suporte e referência, como pais, ou irmãos mais velhos, para que surja uma geração de bons cristãos e que forjem, a partir do conhecimento da história Metodista Livre, sua identidade como Igreja no Peru.

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Da esquerda para a direita: Gary, Patricia, Maria, Miguel

O pastor Miguel, de mudança recente, vindo de Tarma, a poucos quilômetros e a muitas horas de Lima, subindo e descendo a cordilheira dos Andes, me conta um pouco de sua história.

Na infância, levado pelos pais, passava as férias na capital, na casa de parentes. Seus primos, educados na capital, achavam rústicos seus modos e jeito de falar. “Ele é da selva, hahaha”. Por isso, à parte do período de estudos no Seminário, procurava se manter distante daquela imensa selva humana.

No ano passado foi convidado para mostrar a cidade a alguns irmãos dos Estados Unidos. Foram a um monte alto, de onde se divisava grande parte da cidade. De lá, sentiu a cidade como uma multidão de ovelhas dispersas. A aversão se transformou em atração, e a mágoa da experiência do passado se tornou em perdão e paixão.

Há dois meses ele e sua esposa começaram uma Igreja num bairro central de Lima.

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Mas eles vivem em um pequeno quarto alugado de um imóvel. Compartilham banheiro e cozinha com outras famílias. Não possuem plano de saúde particular e nem do governo, e também não fazem nenhum tipo de aporte financeiro como previsão para a aposentadoria. Vivem o dia de hoje no serviço do Senhor, com alegria.

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Tomo o avião carregado de lembranças. Poucas na mala, mas muitas no coração. O país, pilhado pela colonização, explorado em seus recursos minerais, dizimado em sua população, como fênix, tem desejo de emergir. O que trazem do passado não é um ranço magoado por aqueles que os oprimiram, mas o orgulho de imemoráveis tempos de riqueza e glória, que serve de impulso para um novo tempo de prosperidade, agora em novas roupagens. Este é o tempo do Peru. Esta é a oportunidade de transformação de uma nação através do Evangelho.

Veja mais fotos e vídeo do Peru em
http://picasaweb.google.com/marcelo.imel/Peru?authkey=Gv1sRgCO2AsuTzpcbPcw&feat=email#5392821979215281362

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Se você está ganhando…

Por que não trabalhar em equipe?

… é porque deve fazer parte de um bom time!

No último sábado estivemos reunidos na Igreja da Saúde para encontro com o Pastor Josué Campanhã. Tivemos a oportunidade de ouvir e tirar dúvidas a respeito da Liderança em Equipe.

Algo que me marcou foi a exposição do modelo. É mais difícil trabalhar em equipe do que fazer tudo sozinho, especialmente quando a tarefa a ser realizada é possível de ser feita só por mim. Mas o modelo bíblico não é esse.

Deus pode fazer tudo sozinho. Mas prefere contar conosco. Jesus poderia desenvolver o Ministério sem nossa cooperação, e não há dúvida de que também poderia ter espalhado as Boas Novas sem ajuda alguma. Preferiu, no entanto, contar com um grupo de rapazes não muito cultos, não muito ricos e pouco influentes na sociedade onde viviam.

E hoje prefere contar conosco.

Isso é um grande desafio, não?

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Requisitos de um estrangeiro

Algumas situações que passamos nestas duas semanas no Japão:

1. no sushi-yá, as esteiras rolavam, apertando nossa fome. No desfile de pratos chamativos, um chamou especial atenção: acima do oniguiri, uma generosa fatia de algo de um azul intenso e brilhante, parecendo peixe fresco, pedindo para ser abocanhado de uma só vez. Era beringela.

2. ainda outra semelhante: no supermercado, a mistura embalada em prato de plástico tinha um bom preço. Pareciam fatias de carne, talvez frango, untados de maneira artesanal com molho claro espesso. No quarto do hotel, descobrimos que existem muitas formas de preparo de beringela aqui no Japão.

3. ainda no sushi-yá. No potinho, um pozinho verde. Deve ser wasabi. Só depois descobrimos por que o wasabi daqui não é forte e por que só servem água quente nas torneiras.

No pedido de visto no consulado do Japão no Brasil, pediram uma série de documentos. Só não sabíamos que outos requisitos ainda são necessários para se viver no estrangeiro: humildade de uma criança e senso de humor.

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Acima e abaixo da superfície

Pleno verão no Japão, calor que faz pensar que ar condicionado é item essencial para sobrevivência. Ainda bem que existem os sucos, chás, bebidas isotônicas, todas geladíssimas e saborosas.

Depois de visitas seguidas ao país, já não me sinto inseguro para encarar as atendentes das lojas. Falo meu pobre inglês, elas não entendem, dão as mesmas respostas várias vezes em japonês, sem mudança nem de vocábulos, mas no final a comunicação acontece. Difícil é assimilar palavras novas ao meu vocabulário de neto de japoneses de antes da guerra: “purá”, que em português é purástico e teiburu, que em alguma outra língua é table. And so on…

Confusão por confusão, pior é quando se vem do México, vivendo quatro dias de imersão na língua. No primeiro dia de estada no Japão, em passeio com os filhos do missionário, estamos no Maku Donarudo (para quem adivinhar que loja é, vou de carro até lá e pego um seto no duraivu suru). Olho o cardápio afixado no alto e sinalizo com a mão o número desejado.
As coisas começam a complicar quando a atendente desfia perguntas sobre detalhes de como quero o lanche. Com isto? Com aquilo? Grande? Pequeno? No meio da conversa nem sei mais o que estou pedindo, e como meu japonês está por um fio, empezo a hablar em español.

No tráfego educado da rua, cruzo com quem poderia ser minha bisavó, e meu tio, e primo, e irmão. No supermercado, fico frente a frente com uma senhora que talvez já tenha esquecido que foi moça um dia. Ela tem dificuldade para andar, mas no corredor estreito que me liga a ela, não tem dúvidas de quem tem a preferência: prossegue resoluta, sem estacar, confiante de que os valores da cultura protegem sua fase de vida.

Problemas na máquina de lavar do hotel, que funciona com moedas. Coloco duas vezes, e nada acontece. Chamo uma funcionária, e depois de verificar a existência de um problema, pergunta quanto coloquei de dinheiro. 400 ienes, digo, o dobro do valor do funcionamento. Sem hesitar, ela saca de seu bolso as moedas, e depois de pedir desculpas pelo incômodo, me indica outro andar onde há outra máquina. Questão de confiança na palavra.

Na loja, uma dúvida quanto a mala que precisamos comprar. Não sabemos se o que queremos ultrapassa as medidas autorizadas para uma bagagem de mão. Vamos perguntar à atendente? Talvez não vá adiantar porque estamos no interior. Na ausência de outra bóia de socorro, nos dirigimos a ela. Depois de ouvir de maneira atenta, pega um manual (existe sempre um manual debaixo de todo balcão de loja) e nos dá uma explicação detalhada de que a permissão se dá por área cúbica e não por metro quadrado, como imaginávamos. Em seguida, se dirige à prateleira de malas e nos explica que esta mala está dentro do padrão, e aquela não, mas a outra, caso o vôo não esteja tão cheio, pode ter a chance de passar. Isto é, suas medidas são guiri guiri. Dois minutos de explicação, nem uma palavra desperdiçada, todas as informações que precisamos.

Nas escolas é oferecida uma série de atividades extra-curriculares, com objetivo de descobrir interesses e desenvolver habilidades pessoais. Em determinada fase, faz-se visitas a empresas, quando o aluno confere in loco se seu desejo profissional corresponde à realidade do mundo do trabalho. Aqui, a escola púbica funciona, e não é por culpa da classe média.

Ando pelas ruas desta cidade que parece ter se esquecido de caminhar no tempo e vejo templos. Grandes, desproporcionais em relação às pequenas construções padrão das residências e prédios comerciais. Os sinos, de cor apagada pelo tempo, ainda assim são imponentes, como que, do alto de onde estão, vigiassem seus arredores, lançando com seus sons imóveis um manto nebuloso de poder sobre as pessoas. São séculos de influência e entranhamento na vida das pessoas, a cultura fazendo simbiose com a religião, moldando a identidade do que é ser um japonês, para o bem e para o mal.

Todo dia o noticiário da TV faz manchete sobre algum caso que foge do comportamento padrão esperado dos cidadãos. Casos de assassinato (geralmente com faca), estupros, roubos. A notícia do momento é sobre uma famosa atriz, descoberta por ser usuária de drogas pesadas com suspeita de também ser traficante. Os suicídios, uma das primeiras causas de morte aqui, não dão mais notícia. Abaixo da superfície tranqüila de uma sociedade que funciona de maneira adequada, talvez haja um turbilhão de necessidades que vez ou outra emerge e estoura como lava de um vulcão.

Confiro dados estatísticos sobre a presença evangélica no Japão, depois de cento e cinquenta anos de missões protestantes no país. A estimativa é de que a população evangélica é de 0,4%. Em Echizen, na cidade que estou, existem duas Igrejas evangélicas, com cerca de 80 membros no total. Isto significa que de cada 100 habitantes, apenas um conhece o Senhor.

Campos brancos, existem por todo o mundo. Campos devastados pela fome, pobreza, corrupção, violação de direitos humanos, opressão a mulheres e crianças. Situações extremas onde a miséria faz dança macabra com a corrupção e baixa escolaridade.

Mas há outros campos também brancos, mas nem sempre perceptíveis. Como um campo de arroz em período inicial de plantio, quando o que se vê é somente água, eles estão lá, submersos em seus problemas insolúveis, quietos, aparentemente prósperos e felizes, sem necessidade de coisa alguma, mas se dirigindo a passos silenciosos e ordenados em direção a um terrível destino eterno.

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Taifu e dishin

Nas duas semanas que passo em Ichihara e Takefu, uma visão mais clara e tocante do que passa com os brasileiros em geral e de como Deus está trabalhando em nossas Igrejas.

Viver em um país estrangeiro nunca é fácil. É exercício de humildade e renúncia, para que se consiga adaptar a uma maneira de pensar diferente. No ar, sempre alguma incerteza sobre o procedimento correto de se fazer as coisas (porque aqui tudo tem uma maneira orientada de se fazer), mesmo que com muitos anos de vivência no país. Porque instruções há, muitas, para todas as coisas, mas em letras e ideogramas nem sempre identificáveis para os brasileiros.

Em um país onde tudo funciona de maneira adequada, há conforto e segurança, mas existe o outro lado, por dentro das paredes do local de trabalho. Há as terríveis viradas de turno, que afetam o sono e o corpo de maneira dramática, os riscos sempre presentes de acidentes graves, o ambiente castigante de altas temperaturas, mesmo com roupas especiais, em alguns serviços.

Mas há uma outra história sendo construída dentro de nossas Igrejas. Casamentos prestes a se desmoronar sendo restaurados, famílias em fragmentos sendo reunidas. Na Igreja, o encontro de um lar, um abrigo em meio à paisagem desoladora e solitária de país que oferece quase tudo, menos amor e sentido de existência.

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No meio da crise econômica que ameaça até os empregos de alguns japoneses, uma percepção de necessidade: um novo espaço para a Igreja, um local de culto, convivência e serviço à comunidade. Quase o dobro do valor anteriormente pago. Um desafio de fé: homens usam seu dia de folga para estar, em regime de mutirão, participando da reforma do local. Mulheres fazem salgados brasileiros e ficam com seus filhos vendendo à porta das fábricas até à noite. O lucro total, uma oferta de amor para a Igreja. Até uma empresa elas criam: “Por amor (a Ti, Senhor)”. Por amor Àquele que os amou primeiro.

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Dia de batismo. Cinco adolescentes dão seu testemunho, longo, denso e focado em Jesus. Brincadeiras fazem parte de uma vida saudável, mas o compromisso é sério como de uma pessoa madura.

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Nos cultos, uma reverência respeitosa e uma sinceridade de ouvir de coração o que Deus quer de suas vidas. Não um jogo de interesses, onde se vai à Igreja para barganhar, mas a consciência de que Ele está no comando, e que submissão e entrega são marcas de um verdadeiro discípulo de Jesus.

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Também o entorno não deixa de ser influenciado. Evangelismo de maneira natural, como estilo de vida, ao companheiro de fábrica, à família, com o argumento da consistência de vida. E o brasileiro, mas também o japonês, entende e é convencido de que Deus está com eles. Neste ano, dois japoneses chegaram a Jesus. Quem sabe o início de uma grande colheita em lugar ainda deserto.

Quando se está no Japão logo se ouve duas palavras importantes no cotidiano desta ilha de condições ambientais difíceis: dishin (terremoto) e taifu (tufão). Há poucos dias houve um nas imediações de Tóquio, mas estamos longe o suficiente para não sentir nada. Mesmo o tufão que assola parte do Japão só se fez sentir aqui como uma chuva constante e de pingos grossos, embora sem vento e fraca.

Mas vi e senti outro, o verdadeiro tufão e terremoto, o do bem, que é obra de Deus nos corações dos homens. Ele está em progresso, e talvez ainda em início de atividade. Isto me faz ter um profundo respeito por aquilo que Deus está fazendo no Japão. Não tem como não participar!

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Para ver mais fotos, acesse
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Princípios de liderança Encontro de Líderes da IMEL América Latina

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Uma das palestras da dra. Délia foi sobre princípios de liderança, garimpados por ela nos seus anos de ministério. Um líder:

1. Tem seguidores
Não por medo, mas por motivação positiva, como Jesus, que atraía pessoas por sua bondade.

2. Aprendeu a ser um bom liderado

3. Lidera com seu exemplo
Um mau líder atrai pessoas que são como ele. Um bom líder atrai pessoas que querem ser como ele.

4. Sabe como pedir perdão
Mantém a consciência limpa, mesmo que isto custe percorrer uma distância grande para pedir perdão

5. Pergunta como transformar uma necessidade em uma grande oportunidade
O líder nunca começa com o que tem, mas com a visão, que expõe uma grande necessidade

6. Não tem medo de outros líderes fortes
O exercício inseguro ou arrogante de liderança isola outros potenciais líderes, mas cercar-se de líderes fortes enriquece a liderança.
Bons líderes formam líderes fortes.

7. Não tem medo de inovações
Ser Metodista Livre não é usar uma metodologia aprovada, mas é ter uma teologia e uma relação com Deus, e estar aberto ao mover de Deus.

8. Sabe que não é Deus
O bom líder não é um microadministrador, que cuida de todos os detalhes, mas confia em Deus e delega ministérios a toda a Igreja

9. É humilde
O bom líder é amoroso e respeitoso, e quando prega e exerce sua liderança, não é a sua pessoa que aparece, mas as pessoas vêem a Palavra e Deus operando.

10. Está sempre visualizando o futuro
Um líder é bifocal: ver de perto, mas também de longe. Não se preocupa apenas em melhorar o presente, mas visualiza e se prepara para o futuro.

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Encontro de Líderes da IMEL América Latina

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Sob a liderança do Bispo Roller e da dra. Délia Olver, Diretora de Área para a América Latina, foi realizado nos dias 23-26.07 no México o Encontro de Líderes da América Latina. Com a presença de 35 pessoas de 13 países, entre Bispos, Superintendentes e Diretores de Distritos, tivemos momentos de reflexão bíblica, comunhão e estabelecimento de contatos.

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A IMEL Latina, incluindo os hispânicos dos EUA, totalizam 81.628 membros em 712 Igrejas. Com penetração difícil no passado, éramos identificados por 4 “P”s, segundo a dra. Délia: poucos, pequenos, pobres, pacatos.

Mas agora não mais. Surge uma convicção entre os líderes de que está surgindo um novo momento para o povo latino americano. As Igrejas estão em processo de crescimento e despertamento, e cremos que o que foi no passado não precisa ser o padrão para o futuro. Deus está despertando Seu povo para orar e evangelizar, e sob a unção de Deus, criar uma nova história para os povos da América Latina.

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Saio do Encontro com uma inquietação expectante, perguntando a Deus se existe alguma participação que Ele quer nos dar neste processo de proclamação entre os povos latinos. Quem sabe estabelecer vínculos de cooperação missionária para implantação de Igrejas em países na América do Sul…

Um termo, mesmo que conhecido, ganha nova força e sentido quando ouvido em um contexto marcante. Depois do encontro, uma palavra ressoa de maneira nova quando penso na evangelização da América Latina: Adelante!

Veja mais fotos do Encontro em http://picasaweb.google.com/marcelo.imel/CumbreMexico2009?authkey=Gv1sRgCMiJ0tHYpcTJag#

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Notícias da Campanha (Parte 1)

AdorArte 2009 - AdorArte 2009

Cheguei logo depois do almoço. Encontrei a turma fazendo digestão do banquete que tinha acabado de acontecer. Um pena eu não ter chegado antes :p
A Campanha AdorArte está à todo o vapor! Mesmo no tempo de descanso (estava frio também), várias pessoas jogavam bola, ensaiavam algumas coreografias e tocavam instrumentos.

Fazendo a digestão

A equipe, como de costume, trabalhava muito: lavando banheiros, preparando as próximas refeições e acompanhando o pessoal no que fosse necessário.

Vamos trabalhar!

Tudo está bem. Promessa de mais uma grande Campanha!

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