Arquivo da categoria ‘Uzé’

pr. Otoniel

E ele achava gozado…

Vendo todos aqueles candidatos a Prefeitura dizendo que haviam feito isso e aquilo, enquanto Uzé assistia a televisão, ele achava muito gozado pois parecia que todos tinham tirado dinheiro de seu próprio bolso para todas aquelas obras de ontem e de hoje.

Pensando consigo mesmo, Uzé não quis deixar de ter respeito, mas apenas disse para si: E isso não é mais do que a obrigação?

pr. Otoniel

E o que eles poderiam fazer?

Vendo aquelas cenas se repetirem indefinidamente, Uzé pensou um pouco naquilo que o Pr. Vitor Emanuel falava de chamado: era para onde nossos olhos apontavam.

Ele não se conformava que parecíamos que estávamos deitados em berço esplêndido quando vidas preciosas por quem Jesus havia morrido e ressuscitado estavam sendo enterradas dia a dia na Cidade Maravilhosa.

Ele não se conformava em ver a chamada nova Luz, em sua amada cidade de São Paulo, ser palco do tráfico.

Ele ia falar com a Igreja para ver o que eles poderiam fazer?

Você tem alguma sugestão?

pr. Otoniel

Have ou Rave?

Quando ele viu pela primeira vez aquela palavra, ele nem sabia como se pronunciava.

Mas depois ele soube que haveria uma Rave cristã. Como ele somente ouviu que tal evento aconteceria, Uzé ficou curioso em saber o que aconteceria durante aquelas doze horas prometidas: será que era como uma vigília? Será que haveria ministração da Palavra de Deus?
O que o alegrava era que havia alguns jovens de sua Igreja que estavam muito animados em participar. Uzé pensava: certamente eles seriam impactados pela presença de Deus!

Quando ele sentou ao lado de um desses jovens, ele perguntou o que aconteceria durante essas doze horas. Aquele jovem tranquilamente falou: Oh, Uzé, a gente vai dançar as doze horas para Jesus! E o melhor é que não entra bebida!

Uzé ficou tentando imaginar o que ele achava disso. O que você acha?

pr. Otoniel

Seria possível

…Ao ver aquela notícia na televisão ele instintivamente tirou o boné e segurou na mão.

Enquanto ainda via, Uzé pensava consigo, como se recebesse um imenso golpe em seu coração: Seria possível que em plena Metrópole um grupo de mais de dez homens, que eram funcionários do Estado, andassem com três homens, como eles, e os levassem para a morte, apenas por mero capricho de um superior?

Seria possível que esse tenente não pensasse em momento algum que aqueles três eram gente, como eu, você e ele?

Será possível que em momento algum passasse pela cabeça daquele homem que nem mesmo poderia falar em legítima defesa mas estava vivendo no Inferno ao se dar a tal capricho?

Deus, Pai, parecia que o coração do Uzé não iria aguentar.

pr. Otoniel

Com o peito estufado…

A princípio, ao ouvir aquela notícia, Uzé ficou estarrecido.

Mas, depois, vendo e ouvindo o que os noticiários do Brasil e do mundo falavam a respeito daquela mulher guerreira com quem Uzé já se alinhara nas mesmas fileiras, ele ficou orgulhoso.
Lembrou-se dos tempos em que carregava aquela estrela no peito e empunhava sua bandeira vermelha: Aquela era uma mulher legitimamente brasileira que sabia o que era o meio ambiente.
Uzé pensou rapidamente que ela não acertava em tudo, mas com orgulho ele foi buscar a sua estrela no baú e andou, pelo menos uma semana, com ela novamente em seu peito: homenagem a Marina.
Mesmo sem saber, Uzé sabia: Graças a alguém maior que fora anunciado por uma outra estrela, há muito mais tempo atrás, lá em Belém, que podia dizer: Mulher de Deus, uma das nossas!

Enquanto um falava isso, outro aquilo, Uzé parou um momento e disse:
- Gente, que tal nós oramos por eles?
Então o Sr. Tankana disse, irado:
- Que é isso, rapaz! Essa gente não merece nossa oração.
Rapidamente o grupo de irmãos que estava na Igreja foi se dispersando enquanto o Uzé ficou pensando:
- Que tal converter cada imagem do casal que estava sendo acusado de matar a filha de um deles em oração?

pr. Otoniel

Tinha uma grande diferença…

Parecia uma novela…Mas infelizmente era verdade:
Depois de tantas polícias e tantos peritos,
Tantos anúncios e jornais vendidos,
Tantos atores anônimos que se fantasiavam para ter seu minuto de glória,
Parece que a Justiça iria fazer justiça. Pelo menos Uzé pensou assim.

Com o coração triste, Uzé também pensou:
Como seria maravilhoso se para cada criança morta a polícia mandasse tantos peritos e a Justiça colocasse um Promotor especialmente para descobrir o que havia acontecido. Uzé ficou com muito medo de julgar, mas pensou: será que todo mundo tinha o mesmo valor?

pr. Otoniel

Quando ele chegou no domingo…

Ele viu muita gente em volta da Rideko. Como o movimento era grande em volta dela, Uzé também ficou curioso e foi se chegando. Percebeu que todo mundo estava em volta do seu celular pois queria ver alguma coisa…

Uzé pensou: seria uma pregação? Algum irmão do Japão? O nascimento do Haruto?

Com a curiosidade natural do ser humano, Uzé estava se aproximando quando ouviu a Rideko dizer: Olha, essa eu estava gravando lá na frente da casa do pai do Alexandre Nardoni….
Alguns pareciam deslumbrados.

Uzé, que se achegava, parou e foi ver o que estava acontecendo com o irmão Sarado que já há algum tempo não vinha na Igreja.

pr. Otoniel

E ele sentiu tudo voltar…

… Não era mais um porque a morte de alguém é única.

Mas quando ele começou a ver toda aquela aglomeração da Imprensa e a repetição, dia após dia, das notícias, mostrando a morte daquela pequena menininha, Uzé, que naquele momento tomava o seu café da manhã, quase vomitou de tanta indignação:

Via muita gente da Imprensa sem qualquer compaixão pelo sofrimento daquela família…

Sem poder concluir, ele pensou consigo mesmo se isso não era para vender horário de comercial, jornal e revista…

Será que era para ser assim?

pr. Otoniel

Seria uma idéia maravilhosa…

Entre o misto de tristeza e revolta, Uzé pensou em algo que poderia trazer grandes mudanças para essa situação: e se fosse aprovado um projeto de Lei para que toda Autoridade eleita pelo Voto Direto, ou seja, presidente, governador, deputado federal e estadual, senador, prefeito e vereador, fossem obrigados, durante o mandato, a terem atendimento apenas na rede pública?

Aí ele ficou pensando: Provavelmente muita pouca gente morreria e veria o descaso nos hospitais públicos como esse caso da dengue…

Mas era apenas um pensamento… Será?

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