A princípio, ao ouvir aquela notícia, Uzé ficou estarrecido.
Mas, depois, vendo e ouvindo o que os noticiários do Brasil e do mundo falavam a respeito daquela mulher guerreira com quem Uzé já se alinhara nas mesmas fileiras, ele ficou orgulhoso.
Lembrou-se dos tempos em que carregava aquela estrela no peito e empunhava sua bandeira vermelha: Aquela era uma mulher legitimamente brasileira que sabia o que era o meio ambiente.
Uzé pensou rapidamente que ela não acertava em tudo, mas com orgulho ele foi buscar a sua estrela no baú e andou, pelo menos uma semana, com ela novamente em seu peito: homenagem a Marina.
Mesmo sem saber, Uzé sabia: Graças a alguém maior que fora anunciado por uma outra estrela, há muito mais tempo atrás, lá em Belém, que podia dizer: Mulher de Deus, uma das nossas!
Enquanto um falava isso, outro aquilo, Uzé parou um momento e disse:
- Gente, que tal nós oramos por eles?
Então o Sr. Tankana disse, irado:
- Que é isso, rapaz! Essa gente não merece nossa oração.
Rapidamente o grupo de irmãos que estava na Igreja foi se dispersando enquanto o Uzé ficou pensando:
- Que tal converter cada imagem do casal que estava sendo acusado de matar a filha de um deles em oração?
Parecia uma novela…Mas infelizmente era verdade:
Depois de tantas polícias e tantos peritos,
Tantos anúncios e jornais vendidos,
Tantos atores anônimos que se fantasiavam para ter seu minuto de glória,
Parece que a Justiça iria fazer justiça. Pelo menos Uzé pensou assim.
Com o coração triste, Uzé também pensou:
Como seria maravilhoso se para cada criança morta a polícia mandasse tantos peritos e a Justiça colocasse um Promotor especialmente para descobrir o que havia acontecido. Uzé ficou com muito medo de julgar, mas pensou: será que todo mundo tinha o mesmo valor?
Ele viu muita gente em volta da Rideko. Como o movimento era grande em volta dela, Uzé também ficou curioso e foi se chegando. Percebeu que todo mundo estava em volta do seu celular pois queria ver alguma coisa…
Uzé pensou: seria uma pregação? Algum irmão do Japão? O nascimento do Haruto?
Com a curiosidade natural do ser humano, Uzé estava se aproximando quando ouviu a Rideko dizer: Olha, essa eu estava gravando lá na frente da casa do pai do Alexandre Nardoni….
Alguns pareciam deslumbrados.
Uzé, que se achegava, parou e foi ver o que estava acontecendo com o irmão Sarado que já há algum tempo não vinha na Igreja.
A GRANDE OMISSÃO
Esse livro de Dallas Willard, editado pela Mundo Cristão, é uma coletânea de textos publicados anteriormente onde o Autor reflete sobre a questão do discipulado na vida da Igreja: Para mim, o Autor deixou a seguinte pergunta: Será que não estamos omitindo algo? Também mostra qual o lugar das disciplinas espirituais (oração, solitude, leitura bíblica, etc.) na Ação graciosa de Deus para nos tornar parecidos com Jesus Cristo. Não é um livro longo e pode ser lido em pequenas doses.
A ESSÊNCIA DA IGREJA
Aqui não vai ser encontrada muita novidade. Mas é um pequeno livro (com letras razoavelmente grandes e bom espaço entre uma linha e outra) para aqueles que estão pensando na função da Igreja (e das denominações) no dia de hoje. Será que tudo que fazemos está dentro da adoração, aprendizado, comunhão e evangelismo que são, segundo o Autor, a essência da Igreja? Não me lembro se li outra coisa de J. Scott Horell, mas acho que é um bom ponto para iniciar (ou continuar) a refletir sobre o nosso papel. A editora é a Hagnos e o número de páginas são 165.
… Não era mais um porque a morte de alguém é única.
Mas quando ele começou a ver toda aquela aglomeração da Imprensa e a repetição, dia após dia, das notícias, mostrando a morte daquela pequena menininha, Uzé, que naquele momento tomava o seu café da manhã, quase vomitou de tanta indignação:
Via muita gente da Imprensa sem qualquer compaixão pelo sofrimento daquela família…
Sem poder concluir, ele pensou consigo mesmo se isso não era para vender horário de comercial, jornal e revista…
Será que era para ser assim?
Entre o misto de tristeza e revolta, Uzé pensou em algo que poderia trazer grandes mudanças para essa situação: e se fosse aprovado um projeto de Lei para que toda Autoridade eleita pelo Voto Direto, ou seja, presidente, governador, deputado federal e estadual, senador, prefeito e vereador, fossem obrigados, durante o mandato, a terem atendimento apenas na rede pública?
Aí ele ficou pensando: Provavelmente muita pouca gente morreria e veria o descaso nos hospitais públicos como esse caso da dengue…
Mas era apenas um pensamento… Será?
Para ele era um grande enigma.
Mas como ele acompanhava diariamente o noticiário – afinal o Pastor Vitor Emanuel disse que cristão que é cristão precisa ter em uma mão a bíblia e na outra o Jornal – ele ficou bem interessado. Até pensou que alguém ia se pronunciar na Igreja (talvez aquela médica bem quieta, a Yukiko…).
Mas chegou a quarta-feira e ele teve de tirar suas próprias conclusões para decidir se o que os Ministros do chamado STF iam decidir estava de conforme com o que Deus queria: Quando começa a vida humana? Na concepção ou depois de alguns dias?
Qual seria a solução?
Estava demais!
Pelo menos essa era a opinião de D. Nobuko que no seu mal falado português clamava por Justiça. Primeiro foi aquele menino chamado João Hélio. Depois uma bala perdida alcançou a menina Alana. E sem falar no que está acontecendo dia a dia…
Alguém disso: Esse tipo de pessoa tem que matar!
E Uzé ouviu a concordância de outros irmãos que estavam reunidos tomando café.
Gabriela, que agora estudava Direito, tentou dizer que isso não adiantava, que mais tempo de pena não iria resolver…
D. Fumiko disse: Bom, gente, o negócio é orar, orar e orar…
Enquanto Uzé ponderava, ele ouviu:
Gente, o negócio aqui só vai piorar até a volta de Jesus. O que a gente tem que se preocupara é com nós mesmos. Ainda bem que isso não aconteceu com a gente e Deus está nos protegendo…
Uzé bem que quis, mas ele achou que ficaria mais feliz se ficasse em silêncio do que soltasse aquele grito:
“Será que vocês também não estão cansados de ver tanta desgraça? Será que a gente não pode sugerir alguma coisa, como Igreja, para essa tal de violência?”
Uau! Já estava chegando mais um Natal e mais um fim de ano!
E parecia que o ano somente havia começado.
Agora, novamente, havia o culto de Natal, a reunião de Planejamento…
E era reunião atrás de reunião: reunião de avivamento, reunião de comunhão, reunião da comissão disso e daquilo… Até havia reunião dos sem comissão…
Quando estavam voltando de mais um culto de oração, a Yoriko, sem querer, deixou escapar isso:
- Puxa, será que a gente precisa de tanta reunião?
Uzé não falou nada, mas ficou pensando se não estavam saindo do plano inicial daquele que os havia chamado: Jesus Cristo. Mas quem era Uzé para falar isso?